Trekking: Ferrovia do Trigo

O Sul do nosso país é conhecido pelas suas serras, suas regiões rurais afastadas das grandes cidades e também, claro, pelo frio, que em meados de junho e julho, atinge temperaturas que desafiam qualquer um que queira se aventurar por uma boa trilha. Agora imagina uma aventura que une tudo isso? É o que fizemos no nosso trajeto da Ferrovia do Trigo, que liga Roca Sales a Passo Fundo e que conta, em seu trajeto, com diversos túneis, viadutos (entre eles o 3º maior do mundo) e, claro, vistas de tirar o fôlego. Acompanha a gente nessa jornada!

1º Dia – de Guaporé até o camping

Nossa aventura começa na cidade de Guaporé, um município no coração da Serra Gaúcha, a cerca de 200 km da capital. Fundada por imigrantes italianos, é uma cidade cercada por natureza e um prato cheio pra quem gosta do trekking. E claro, é nela que se inicia o trajeto da Ferrovia.

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A cidade de Guaporé – RS, início da jornada

Saímos do hotel e iniciamos nossa caminhada rumo à Ferrovia do Trigo. Claro, nós fomos bem preparados, mas é preciso destacar o frio, bem comum nessa época do ano, ainda mais na região da serra. Começo da manhã, a névoa dificultava a visão mais do que alguns metros a frente, e geada cobria a grama em volta da ferrovia.

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Um dia bem frio saindo de Guaporé!

Ferrovia, aliás, que está ativa: trens de carga costumam circular durante a noite, e os trens de passeio foram reativados.

Mas claro, todo cuidado é pouco e em certos trechos é necessário bastante cuidado e atenção (como em qualquer trecho de trekking, claro). A primeira parte do trajeto é menos montanhoso, em áreas bem planas.

É mais do que necessário trazer uma lanterna, pois o trecho possui diversos túneis, alguns deles com mais de 2km de extensão. Depois de mais ou menos 8 km caminhados (6 deles desde o início da ferrovia) chegamos ao primeiro deles, com pouco mais de 500 metros de extensão.

Dentro, reina a escuridão total (por isso a lanterna é requisito) e a cada 50 metros se tem “recuos”, pequenas aberturas nas paredes dos túneis, para proteção.

O segundo túnel não é muito distante do primeiro, e o terceiro, com cerca de 700 m, fica logo depois.  Logo que saímos dele, chegamos ao primeiro viaduto, este com estrutura (alguns dos viadutos dessa ferrovia possuem apenas dormentes pra se fazer a travessia, que são aquelas peças transversais de madeira que ligam os trilhos) e com recuos com parapeito também.

Avistamos, lá embaixo, um pequeno córrego e tivemos um gostinho da vista do vale. Escrevo assim porque o melhor ainda estava por vir, acredite!

O 4º e o 5º túneis vem logo depois, mas esse último chama a atenção porque foi feito de maneira que parece esculpido na rocha, lembrando uma gruta. É muito bonito por dentro!

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O 5º túnel da ferrovia. Parece uma caverna!

Passando o 6º túnel com seus quase 900 metros, chegamos ao famoso Viaduto Mula Preta, que é um dos pontos altos do trajeto. Ele fica bem na divisa com a cidade de Dois Lajeados. A altura? “Apenas” 98 metros até o chão.

E é aqui que a aventura começa de verdade, porque ao contrário do primeiro, este aqui não possui proteções nas laterais, sendo um dos viadutos vazados, ou seja, apenas os dormentes servem como chão, mas estes são bem largos e a distancia entre eles é pequena. Mesmo assim, a adrenalina vem, claro, ainda mais com uma mochila cargueira com todos os equipamentos.

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O Viaduto Mula Preta. É bem alto!

Nesse ponto da caminhada o sol já tinha dissipado toda a névoa, e aproveitamos um dos recuos protegidos do viaduto pra fazer nosso almoço, até porquê ninguém é de ferro!

almoço
Almoçando no estilo Pense Verde!

Retomando a jornada, alcançamos o 7 e o 8º túnel. A partir desse trecho, eles começam a ficar bem mais longos, sendo o 8 o maior de toda a jornada, com mais de 2 km de extensão.

E depois dele, mais um, antes de chegarmos ao próximo viaduto. O Viaduto do Pesseguinho é menor e menos extenso que o seu “primo”, o Mula Preta, mas mesmo assim é imponente, com seus 86 m de altura e quase 300 de extensão. Ele também é vazado, como o anterior. A paisagem, aliás, começa a ficar cada vez mais estonteante.

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O Viaduto do Pesseguinho.

E ainda tínhamos um bom caminho pela frente até o Viaduto 13, nosso próximo destino, que alcançaríamos no dia seguinte. Mas primeiro, tínhamos que montar acampamento. Fomos presenteados com um belo luar quando chegamos no camping. O dia inteiro, aliás, foi lindo. A natureza sabe ser bela.

O camping Recanto da Ferrovia, aliás, fica perto do viaduto. Lá nós fomos muito bem recebidos pelo proprietário, Clair, que faz um ótimo trabalho auxiliando quem se aventura pela ferrovia. Se você resolver utilizar o camping, mencione o Pense Verde e você vai ganhar um desconto na sua estadia.

Montamos ali nossas barracas, preparamos nossas refeições e, antes de dormir,  tínhamos que recompensar toda nossa caminhada (30km no primeiro dia) com um vinhozinho, até mesmo porque ajudou a aguentar o frio, que chegou a zero naquela noite.

2º Dia

Acordamos e de manhã bem cedo havia muita serração, mas logo o sol já brilhava forte, como que nos incentivando a ir em frente. E aceitamos o convite, claro (nós e um cachorrinho que nos acompanhou por uma parte do caminho).

Com nossa mochila de ataque, partimos rumo ao grande Viaduto 13, o maior de todos. Passamos por mais um túnel (até aí já tínhamos contado 10). Depois dele, mais um viaduto. Lá embaixo, um vale profundo, muito bonito, cortado por um rio ao longe.

No 11º túnel, encontramos uma “janela”, uma grande abertura na parede, que se você resolver atravessar, acaba em uma pequena cachoeira.

trilha
Atrás dos janelões em arco, uma pequena trilha leva até essa cachoeira.

Depois dele, mais um pequeno viaduto, onde algumas obras em andamento (mas que não impedem o funcionamento da ferrovia) dificultam um pouco a caminhada, e outro após esse, com o 12º túnel logo a frente.

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O caminho é repleto de cascatas como essa!

Os próximos dois túneis são bem longos, com 1,5 km  cada um. É uma bela caminhada. Depois deles, mais uma cachoeira, a mais bonita de todas, cuja água cai numa espécie de túnel natural. A Garganta do Diabo.

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A Garganta do Diabo e sua cascata subterrânea.

Mais 3 túneis. O último deles, o 17º, tem enormes aberturas em arco, com uma bela vista da região.

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As “janelas” do túnel 17.

Enfim, chegamos ao nosso destino: o imponente Viaduto 13, conhecido também como Viaduto do Exército, que com seus 143 metros de altura, é um gigante a ser contemplado: a vista é impressionante, a mais bonita de toda a viagem, com todo o vale até aonde a visão alcança.

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O imponente Viaduto 13!

Ele é o maior da América Latina e o 3º maior do mundo. Suas fundações estão enterradas em média a 21 metros abaixo do nível do solo. Lá de cima, pensamos em todo o caminho que percorremos (mais de 50 km desde que saímos do hotel, mais as pequenas trilhas até as cachoeiras em volta dos trilhos) e não tivemos dúvida nenhuma de que valeu a pena cada passo.


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5 comentários Adicione o seu

  1. Que maravilha! Esses túneis e o viaduto são impressionantes! As cascatas e a paisagem são fantásticas também! Que pena não conhecer bem o Brasil, tenho de voltar e ficar por muito tempo 🙂 é um país incrível!!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Tiago disse:

      É sim, o Brasil tem inúmeras belezas.
      E esse trekking proporciona muita aventura e natureza.

      Curtido por 1 pessoa

    2. Clair Scarton disse:

      A casa recanto da Ferrovia Dois Lajeados RS agradece a presença e apoio
      Pois a mesma é de vocês turistas mochileiros visitantes 😁
      Eu apenas administro ela para vocês 👊🇧🇷

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  2. Marina disse:

    Que maravilha!! Eu e alguns amigos estamos planejando fazer a trilha. É muito movimentada a ferrovia, com muitos trens ao longo do dia?

    Curtido por 1 pessoa

    1. Tiago disse:

      Olá Marina.
      Fico feliz que tenha gostado.
      Então, os trens passam normalmente a note, não é comum ver eles durante o dia, pode acontecer mas é incomum.

      Vai ser uma aventura incrível, certeza que irão gostar.

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