Chuva no Rio: entenda o problema

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Esta semana, o Rio de Janeiro vem enfrentando uma das piores chuvas de sua história. A tempestade, que começou na madrugada da segunda-feira (08/04), já fez 10 vítimas fatais e obrigou o prefeito Marcelo Crivella a decretar Estado de Calamidade Pública nesta quinta-feira (11/04), garantindo que a prefeitura possa executar medidas urgentes, priorizando o atendimento nas áreas afetadas, sem necessitar de autorização do Legislativo.

A forte chuva também ocasionou diversos incidentes, como a queda da ciclovia Tim Maia, bloqueio de diversos pontos sob risco de desabamento e, claro, enchentes em diversos bairros da cidade. Apesar das palavras do prefeito, que afirmou que “essa é uma chuva completamente atípica”, este tipo de incidente é comum na capital do RJ.

Historicamente, relatos que remontam mesmo à época da fundação da cidade já informavam sobre chuvas fortíssimas no local. No século XIX, as chuvas causaram tanta destruição que o próprio D. João VI, governante da época do Brasil Colônia, instaurou inquérito para resolução do caso. A conclusão foi óbvia: o lixo entupindo valas e obstruindo o sistema de drenagem contribuiu para o desastre.

Não é que a cidade seja alvo de chuvas excepcionalmente mais fortes do que as que podem se precipitar sobre as capitais de outros estados, por exemplo. O problema é uma junção da geografia do local que se junta com séculos de ocupação em áreas de risco. O relevo carioca é composto de morros com terreno muito rochoso, e por conta disso o solo não absorve volumes muito grandes de água. Sendo assim, a chuva escorre pelas encostas e avança até o meio da cidade que fica espremida entre os morros. Até mesmo o mar pode contribuir, pois na maré alta ele pode acabar represando a água nas ruas da cidade.

O sistema de esgoto também não ajuda, pois não cumpre a função de levar a água para fora da cidade. E tudo por um simples motivo, o mesmo que o velho D. João VI percebeu séculos atrás: o acúmulo de lixo. Durante as enchentes, a água é bloqueada pelo entulho causado por sacolas, latinhas, caixas, e acaba não tendo por onde escapar a não ser em direção ao mar (onde, como já foi dito, a própria maré e os ventos fortes podem atuar como barreiras).

Para resolver o problema, é necessário que uma série de medidas sejam tomadas, mas nenhuma delas é simples. Primeiramente, a conscientização deve ser geral, e cada cidadão deve fazer sua parte, pensando no bem comum ao descartar o lixo no local correto. A realocação de pessoas que habitam áreas de risco também deve ser levada em conta. O problema é que isso deve ser feito de maneira que as famílias afetadas contem com todo o apoio necessário por parte da prefeitura, e não sejam apenas retiradas de seus locais, e sim realocadas. Ou seja, a solução não deve ser feita de maneira simplista. A questão do Rio de Janeiro demanda muito tempo e recursos, mas deve ser feita para que problemas como estes não ocorram mais.


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